terça-feira, 20 de junho de 2017

Em mim habita um animal feroz.


Que é todo pele, unhas e dentes. Um aguaceiro, uma torrente, um vendaval. Um cavalo doido, um Carnaval. Um animal feito de vontades imperativas. Que exige, que demanda, que tem sede e nunca cede. Um animal veloz que me distrai dos meus dias, dos meus planos, dos meus medos. Um animal desenfreado, que atropela a minha vida e me revira a alma, sem nem olhar para trás. Porque não conhece a culpa, mas também não conhece a calma. É desmantelo, desvario, desassossego. Esse animal que me arranha a carne e que liberta o que o tempo, as regras, os prazos, as contas e as convenções sufocam em meu coração.

Foto de Flávio Costa

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Arrebentação

Prende a respiração e mergulha. Estica a ponta dos pés pra ver se toca o chão, mas não. Quanto mais falta? Quanto mar falta? Emerge. Tudo é verde e azul. Tudo é horizonte e não há terra à vista. Nada, bóia, mergulha, mergulha, mergulha, mas não toca a areia, não sente o seu deslizar entre os dedos e isso lhe desespera. Respira. Conta. Faz de conta. Se deixa levar pela maré. Tudo que sente é o vai e vem das ondas. Na boca, sal. Nos olhos, sol. No desequilíbrio, se sente à deriva. Virou sereia e sonha com um porto seguro.

terça-feira, 6 de junho de 2017



O sol e a lua de ouro e prata, só refletem o brilho dela. Toda cachos, flores e batom vermelho, que se esconde pra mostrar o sorriso mais bonito. Nenhum espelho consegue mostrar o poder desses olhos, quando triscam nos seus, disfarçando a graça que sentem. Graça no olhar, no falar e no andar, que é quase uma dança, cigana. Tem a sorte nas mãos.