terça-feira, 4 de julho de 2017




No princípio era o Verbo e o Verbo era Amar. Tudo foi feito por ele, com ele e sob à sua benção. Eterna, etérea, sublime. E do Verbo, nasceu Gael. Tão humano e tão divino. Em sua honra e sua glória, fez-se a luz. E o mundo começou a girar, no dia 11 de abril de 2017. Nada havia antes, a não ser essa procura. Dele. Que ainda nem existia. Mas, se intuía. Pulsava no encontro, no desejo, na espera. Pulsava e ganhava corpo. Pulsava e se fazia alma, mente e coração. Pulsava e se enchia de vida. Vida conjugada no Verbo Amar, que é dele. Tão dele, quanto esse homem e essa mulher que são seus pais e seus filhos e seus deuses. Assim, foi. Assim, é. E assim, será.

(Imagem de Camila Ferza)

quinta-feira, 29 de junho de 2017


quarta-feira, 28 de junho de 2017



Vem, deixa o sol brincar na tua pele e enfeitar o teu dia. Mergulha nessa alegria desenfreada. Gigante, mas que cabe numa banheira azul. O mundo cabe numa banheira azul, quando você sorri. O mundo sorri com o teu sorriso.  Que brilha mais que esse sol e limpa a alma da gente, mais que toda a água do planeta. Vai, faz de conta, nas faz as contas, não perde essa pureza, esse deslumbramento, que assombra a gente quando cresce. Cresce, mas devagarinho e não se perde, promete? Leva essa menina contigo pela vida. Deixa que ela faça do teu peito ninho, porto seguro e uma bacia azul, onde cabe o mundo inteiro.

(Foto de Cleyton Cabral)

terça-feira, 27 de junho de 2017

Essa pele, neve. Esse sorriso, fácil. Esse ar de doçura, candura. Tudo parece simples, tranquilo, superfície calma desse mar que são teus olhos. É aqui que te decifro e te devoro: turbilhão. Neles, mergulho. Numa profundeza que ninguém alcança, vendo assim de passagem. É nesse verde que habitam sereias, monstros marinhos e animais de cores impossíveis. Teu eu mais secreto, escondido, perigoso, mostrando os dentes em fúria. Criando correntes que desafiam leis da Natureza e afogam pescadores desavisados. Ouço teu canto e danço pra você. Acredito nas tuas lendas. Do sol, que brinca nos teus olhos. Da lua, que neles se reflete, invejosa e arisca. Das marés e idas e vindas e dúvidas e certezas. Faço desenhos na superfície que te tocam a alma. Arrisco um sorriso. Arrisco um improviso, porque me é desconhecido teu ser, Deusa das Águas. E é nessa hora que você se derrama e se entrega. Líquida, fluida, fugidia. Sinto o teu gosto de sal e me afogo. E essa morte é tão cheia de vida, que chega a doer.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Esconde. Não mostra.

Não olha pro abismo. Esse espelho, esse estorvo, esse esboço de você. Malfeito. Malsucedido. Absurdo. Um abuso do Infinito, do Universo ou coisa que o valha. De lá, ele te vê. De lá, ele é você. De lá, ele ri do seu susto de se ver refletida, quebrada, partida. Ele gargalha. Insanamente. Incessantemente. Você tapa os ouvidos. Você fecha os olhos. Você morde os lábios. Você sangra. Você silva e ele grita. Ou quem grita é você. Eco. Retumbando o pulsar do seu coração. De novo. De novo. De novo. Esconde. Não mostra. Não olha pro abismo. Caminha pela humanidade como se fizesse parte dela. Caminha e sorri.  Bom dia, boa tarde, boa noite, por favor e obrigada. Acorda, trabalha, vai dormir. Assim, ninguém vai notar os seus estilhaços. Ninguém vai perceber o abismo afiando as garras no seu peito. De pedra. Ninguém. Esconde. Não mostra.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Em mim habita um animal feroz.


Que é todo pele, unhas e dentes. Um aguaceiro, uma torrente, um vendaval. Um cavalo doido, um Carnaval. Um animal feito de vontades imperativas. Que exige, que demanda, que tem sede e nunca cede. Um animal veloz que me distrai dos meus dias, dos meus planos, dos meus medos. Um animal desenfreado, que atropela a minha vida e me revira a alma, sem nem olhar para trás. Porque não conhece a culpa, mas também não conhece a calma. É desmantelo, desvario, desassossego. Esse animal que me arranha a carne e que liberta o que o tempo, as regras, os prazos, as contas e as convenções sufocam em meu coração.

Foto de Flávio Costa

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Arrebentação

Prende a respiração e mergulha. Estica a ponta dos pés pra ver se toca o chão, mas não. Quanto mais falta? Quanto mar falta? Emerge. Tudo é verde e azul. Tudo é horizonte e não há terra à vista. Nada, bóia, mergulha, mergulha, mergulha, mas não toca a areia, não sente o seu deslizar entre os dedos e isso lhe desespera. Respira. Conta. Faz de conta. Se deixa levar pela maré. Tudo que sente é o vai e vem das ondas. Na boca, sal. Nos olhos, sol. No desequilíbrio, se sente à deriva. Virou sereia e sonha com um porto seguro.